Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

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Todos os seres humanos partilham o mesmo denominador comum - a Felicidade.

Para alguns esta encontra-se no sucesso. Para outros, no dinheiro. Uns associam-na aos momentos passados entre amigos. Outros, mais recatados, sentem-na no aconchego da família. Há quem pressinta a realização na presença da pessoa que ama, outros há que sorriem apenas por assistir à alegria de outrem. Os realistas sentem-se felizes na posse de vida e saúde. Os iludidos materializam-na nos bens que o dinheiro pode comprar.

É a Felicidade que se esconde por trás de cada pequeno gesto, é ela a responsável pelas grandes escolhas que fazemos na vida, e é igualmente ela que nos indica os caminhos por onde nos devemos mover.

Já eu, sinto que para ser feliz, devo deixar cair algumas ambições que me parecem agora demasiado difíceis de alcançar.

 

Fui ontem aconselhada a aumentar a medicação.

publicado por Incógnita às 15:05
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

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O meu sistema nervoso voltou a dar um ar da sua graça.

Pena eu não ter o sentido de humor necessário para lhe achar piada.

Os prazos não sem compadecem com as misérias alheias, o tempo não pára, e o mundo avança depressa. 

A paciência já se esgotou tantas vezes que nem percebo como ainda aguento isto.

Dão-lhe nomes pomposos - distúrbio, perturbação, transtorno.

Eu começo a chamar-lhe demência.

publicado por Incógnita às 14:58
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Planeamento familiar

Os meus ouvidos fazem uma filtragem idêntica à do gato da Whiskas sempre que se esbarram com uma discussão sobre o referendo ao aborto.

"Blá, blá, blá, aborto. Blá, blá, blá, aborto..."

Onde começa a vida, onde acaba, terá a mulher o direito, etc e tal. É giro ver as pessoas complicarem o que é simples. Mas eu entendo-as - é recalcamento. No fundo, esta é uma oportunidade única para explanarem as suas teorias existenciais, sem que ninguém as interrompa para chamar um médico psiquiatra munido de uma camisa de forças. De um momento para o outro, toda a gente filosofa, se interroga sobre a vida, e tenta pregar a sua verdade, quais messias iluminados, plenos de fertilidade mental.

O que me aborrece, é que no meio de tudo isto, se foge ao essencial da questão. Despenalizar, ou não?

Acho cómicas as inevitáveis generalizações do pessoal do "Não", que podem levar pessoas mais distraídas a acreditar que se porventura o aborto for legalizado, vai ser o desbarato, a "festa da uva mijona" porque no fundo, o fetiche secreto de todas as mulheres é abortar pelo menos uma vez na vida. Elas é que não confessam...

Do outro lado, acho deprimentes as teorias que clamam que no corpo da mulher, ela é quem deve mandar.

Pois. É tudo muito bonito, interessante, e perdem-se umas horas nisto, mas não interessa para nada.

A verdade é que se aborta neste país. E quem decide abortar, consegue ainda assim estar mais preocupado com o feto do que com as filosofias alheias sobre a vida, se é que me faço entender. Se não abortarem cá, fazem-no no estrangeiro.

E quando o que nos é dado a escolher é entre a possibilidade de conceder assistência médica a quem decide abortar, ou manter a triste realidade que agora se apelidou de "aborto de vão de escada", eu acho que ninguém deve ter dúvidas (isto no mundo ideal, onde não existe descriminação sexual!).

Se o feto vai morrer, que se salve a mãe. Que tem família, que talvez já tenha filhos, e que é um ser Humano adulto e consciente, algo que o feto ainda não é às dez semanas de gestação, por mais humano que seja.

Pessoalmente não apoio o aborto. Nunca daria incentivo a ninguém para que o fizesse.

Mas se já decidiram, que o façam em segurança.

publicado por Incógnita às 22:30
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Atirar o barro à parede.

A hipótese de um mestrado em Londres pisca-me o olho várias vezes. Claro que se eu fosse outra pessoa, retribuía logo com um beijo lançado no ar, mas não sou.

O habitual, nestas situações, é que eu vire a cara e comece a trautear uma música qualquer, para afastar a tentação.

E porquê: porque a hipótese de ir para longe durante tanto tempo, partindo à aventura num lugar estranho, me seduz tanto quanto me assusta, ou não fosse eu uma criatura insegura, mimada e medrosa. Do tipo que tem medo de andar de avião. Do tipo que fica em casa a ler enquanto os outros saem à noite. Do tipo que está aqui a escrever em vez de falar com alguém sobre o assunto. 

Mas se não converso sobre isto é porque não quero que me pressionem, e porque preciso de tomar uma decisão só minha, consciente e sem interferências.

Curiosamente, imagino sempre o mestrado como um mero pretexto para a experiência. Uma desculpa para ir. O que significa que aconteceu em mim uma qualquer mudança de prioridades que é coisa para me deixar com a pulga atrás da orelha - eu não era assim / devo estar doente.

E pronto, fica por aqui.

É segredo.

Shhh ...

publicado por Incógnita às 17:51
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Antidepressivos

Vagueando pelo site da BBC, e em apenas alguns segundos, fiquei ciente de que podem causar:

  • diminuição da massa óssea;
  • derrames internos;
  • coisas que não interessam a ninguém;
  • dependência;
  • impulsos suicidas.

Impulsos suicidas? Pois.

Não me admiro nada. Mostrem aos pacientes os possíveis efeitos secundários.

É "tiro e queda".

Eu, por exemplo, neste momento, estou estendida no chão.

 

Há dois anos que os enfio pela garganta abaixo.

E ainda brinco com isto...

publicado por Incógnita às 14:58
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Um segundo

É o que basta para dar por terminada uma vida.

Assim, a frio. Sem que nada o faça adivinhar.

Quando a saúde parecia prometer mais alguns anos tranquilos.

Local errado. Hora errada.

A caminho de casa.

 

Sempre preocupada com os seus "amores" de quatro patas, única companhia numa velhice solitária. Temia as suas mortes. Sofria com as suas dores.

Não vale a pena tentar.

O Ser Humano nunca conseguirá encontrar um sentido para isto.

publicado por Incógnita às 15:21
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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

Devagar

Não se vai a lado nenhum.

E grão a grão, o aparelho digestivo processa o alimento a uma velocidade superior àquela em que o mesmo é reposto. 

 

publicado por Incógnita às 21:55
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Alergias

Sou alérgica a pessoas da minha idade.

Curiosamente, não o sou a ácaros.

publicado por Incógnita às 21:40
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Falta vergonha à justiça portuguesa

Tentei fazer um esforço para não abordar este tema aqui no blog, mas não consegui. É demasiado revoltante para me conseguir conter. Aliás, não se trata apenas de não conseguir - trata-se de não querer.

Eu estou incrédula com o que se passa neste país.

Uma criança actualmente com cinco anos, foi entregue a um casal de acolhimento com poucos meses de vida. Agora, cinco anos passados, o pai biológico percebeu que ter um filho até é coisa para ter a sua piada, e reclama a custódia da criança. Mais: ele pretende que a menina quebre drasticamente os laços com a família que a acolheu e que lhe seja entregue para nunca mais a ver. Resta ainda acrescentar que a criança não o conhece sequer. Agora, o escandaloso: o tribunal deu-lhe razão. O pai adoptivo tentou fugir com a filha para evitar este trauma na menor e está preso neste momento.

Já não é a primeira vez que isto acontece - é comum que neste país, ao fim de alguns anos passados em famílias de acolhimento, crianças adoptadas lhes sejam retiradas repentinamente por um qualquer motivo fútil que o tribunal lá saberá.

Mas que falta de respeito é esta para com as nossas crianças?

Não são apenas os enforcamentos de prisioneiros que devem ser considerados actos bárbaros. Isto que se passa com as crianças portuguesas também é inademissível: provoca-lhes um sofrimento atroz, causando sequelas graves a nível psicológico que podem perdurar para o resto da vida, comprometendo-lhes um crescimento saudável, equilibrado, e acima de tudo, feliz.

Para todos os efeitos, e aos olhos destas crianças, os pais são os pais. Não lhes faz a menor diferença nesta idade que o sejam adoptivos ou biológicos. E o que se passa é cruel. Muito cruel. Estas crianças precisam de ser defendidas de uma justiça que as olha como uma qualquer mercadoria que muda de dono conforme decisão sua, sem levar em conta os interesses e vontades dos menores.

Curiosamente, isto passa-se a um mês do referendo ao aborto.

Existem, por acaso condições neste país para proteger as crianças abandonadas pelos pais biológicos?

Não me parece.

Aos que têm a sorte de ser recebidos de braços abertos por uma família disposta a amá-los, acontece isto.

Já os que ficam aos cuidados de instituições, têm fortes probabilidades de que loucos se cruzem nos seus caminhos.

Neste momento sinto vergonha do meu país.

publicado por Incógnita às 17:50
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

Refém

Das profundezas da Terra solta-se um ruído grave e crescendo que me envolve e me arranca à minha letargia.

O solo agita-se sob os meus pés e a sua energia trespassa-me a pele.

Lentamente o som indistinto transforma-se numa melodia clara e forte que me agita e me move. Não sei se escuto violinos, harpas, pianos, flautas ou vozes, mas isso não importa. O meu ouvido inocente transmite-me a mensagem bastante ao êxtase necessário.

Sou agora uma humilde serva que obedece ao ritmo frenético imposto pela sinfonia do Universo, dançando ao som de uma partitura há muito escrita sem o toque de mãos.

E quando as minhas forças se esgotarem, as minhas costas se curvarem e as minhas pernas me deitarem ao chão, outros serão chamados para esta dança feiticeira e inebriante, que nos transcende e sobrevive. Na sombra.

publicado por Incógnita às 18:33
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Obstinada em encontrar-se... Dentro de si própria.

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