Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Eu estou aqui

Teve nove meses para preparar este momento. Não o fez.

 

A minha psicóloga entrou em licença de maternidade e desapareceu num piscar de olhos, pura e simplesmente.

Nem um número a contactar em caso de urgência, nem um colega para substituição, nem uma data prevista para regressar. Nada. Apenas uma mensagem de voz a anunciar a suspensão das sessões de terapia, vinda de um número anónimo.

 

 

O que é que ela fez com a confiança que lhe depositei?

Deitou no lixo.

 

O que é que ela fez com o dinheiro?

Imagino que terá tido outro destino mais digno...

 

Obviamente não esperava que ela abdicasse da licença, nem que a interrompesse. Mas num trabalho de tanta responsabilidade, estes momentos têm de ser cuidadosamente planeados. Ela não o soube fazer. Um número a contactar em caso de emergência [mesmo que fictício] teria sido uma ideia inteligente e sensata.

 

Afinal, ninguém melhor do que um psicólogo para saber que o terreno sobre o qual trabalha é frágil e inconsistente.

 

 

 

E sim, parece que sobrevivi a hoje. Quando à má disposição, suspeito de que se vai manter.

 

publicado por Incógnita às 15:49
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Eu quero mais é que se lixem

Odeio greves, abomino sindicatos, e todas as pessoas que aproveitam estes dias para testarem o seu poder, contabilizando os estragos que conseguem fazer nas vidas de quem precisa de trabalhar. Cultivo um verdadeiro asco a quem para além disto quer impugnar o funcionamento obrigatório de serviços mínimos.

 

Vou ser obrigada a entupir-me de tranquilizantes para chegar até Lisboa, amanhã. Depois vou ter de tentar fazer o exame sob o efeito deles.

 

Só desejo um belo dia de merda a quem está metido nisto. Tão bom quanto aquele que eu sei que vou ter. E desejo igualmente que não consigam chegar até às manifestações que organizaram por estarem presos no trânsito caótico de que vão ser responsáveis.

Vão todos para o Inferno, porque eu já lá estou graças a vocês.

publicado por Incógnita às 18:59
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Domingo, 27 de Maio de 2007

Quero silêncio

Quero estar sozinha. Não quero pressa. Não quero a vossa pressa nem o vosso tempo. Quero escutar-me. Quero o meu tempo. Quero não ter horas. Não quero que me chamem. Quero chamar por mim e ter uma resposta. Não me digam nada. Não quero nada vosso. Quero o que me apetece. Não quero o que querem que eu queira. Preciso do silêncio da noite. Vão-se embora. Quero ficar a sós comigo. Não gosto de chuva em Maio, nem da vossa presença fora do sítio.
publicado por Incógnita às 17:47
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

A meio caminho entre nenhures e aqui

Não estou.

Apenas as mãos e a razão necessária ao trabalho.

Vou tentar não ceder como uma colega, a quem as olheiras não largam e cujos ossos já empurram a pele com violência.

Felizmente, e embora nem sempre isto se manifeste com a devida intensidade, este trabalho é fruto de uma grande paixão, que permite um sorriso sempre que a cabeça começa a pesar demais.

 

Um grande pedido de desculpas à "Joana", a quem ainda não pude dedicar a mais do que merecida atenção.

 

Até já.

publicado por Incógnita às 19:14
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Sábado, 5 de Maio de 2007

...

Estou sozinha em casa, e sei que a noite se vai prolongar. Há uma pilha de livros ao lado do teclado à espera que eu lhes despeje os olhos e alguma atenção por cima. Ás vezes tenho a sensação de que nem sei porque o faço. Talvez seja apenas a força do hábito, incrustado por tantos anos disto, tanta infância passada nas mesas da escola, ainda mesmo antes de saber quem era ou ao que vinha.

É que nunca me aconteceu o que me acontece ultimamente. Dar por mim a observar as pessoas que passam na rua enquanto eu estudo, e interrogar-me sobre o que farão. Fixar o olhar em quem toma um café descontraidamente numa esplanada, enquanto eu vou ou volto da faculdade com uma terrível dor de cabeça.

Na verdade, o que sinto é que não construí uma história minha. Estudar é como viver em incubação, e dou-me conta disso agora.

A minha história consiste no que vivi nos intervalos entre aulas, no que senti em visitas de estudo ou no que experimentei numas curtas férias entre testes e exames. E já não me apetece. Quero ser eu a ditar a minha própria história, o meu ritmo, o capítulo que se segue.

Mal posso esperar pelo momento em que poderei agarrar na bagagem que consegui recolher em todos estes anos, e começar finalmente a escrever os meus dias.

Falta pouco.

Até lá, a constante de Euler, as regras de derivação, primitivação e o cálculo integral vão ter de continuar a aturar-me.

Pelo menos a contar a partir de agora, e até ao nascer do sol de amanhã. 

O bairro pode dormir descansado, porque eu vou estar aqui a guardar o seu sono.

publicado por Incógnita às 22:25
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Lisboa tem mais encanto

Quando as pedras da calçada do Bairro Alto ganham vida própria sob os nossos pés e nos boicotam o equilíbrio.

A lua quase cheia lá em cima, as estradas recém-lavadas, o ruído mecânico da recolha do lixo ao longe, os seus clarões laranja a varrer fachadas, a cidade deserta...

Escutar pela primeira vez o eco dos meus passos na calçada lisboeta, vendo o meu castelo iluminado no alto da colina..

 

E correr para o último barco da noite, com a satisfação do dever cumprido.

 

Lisboa foi só minha por momentos.

Não digam a ninguém, é segredo...

publicado por Incógnita às 22:34
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Obstinada em encontrar-se... Dentro de si própria.

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