Quinta-feira, 13 de Abril de 2006

...

Gosto de observar os outros quando não sabem ser alvo da minha atenção.

Quando pensam estar sós, quando demasiado atarefados para atentar no que os rodeia, quando descansam...

Enfim, quando baixam as defesas por algum motivo...

... e os seus gestos são mais genuínos e espontâneos.

É então que eu sinto estar verdadeiramente próxima da essência de um ser.

 

 

Quanto a mim...

Não gosto de me saber observada.

Irónico

Ou simplesmente um exercício de lógica.

 

 

Não posso permitir que alguém me descubra antes de mim...

publicado por Incógnita às 16:40
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2006

I think I'm Paranoid

Imagem retirada da net

    O Transtorno obsessivo-compulsivo consiste na combinação de obsessões e compulsões. O que são obsessões? São pensamentos recorrentes insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente. (...) Os pensamentos obsessivos não são controláveis pelos próprios pacientes. Ter um pensamento recorrente apenas pode ser algo desagradável, como uma musiquinha aborrecida ou um problema não resolvido, mas ter obsessões é patológico porque causa significativa perda de tempo, queda no rendimento pessoal e sofrimento pessoal. Como o paciente perde o controle sobre os pensamentos, muitas vezes passa a praticar atos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais. Muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão causada pelos pensamentos obsessivos.(...) As compulsões são gestos, rituais ou ações sempre iguais, repetitivas e incontroláveis. Um paciente que tente evitar as compulsões acaba submetido a uma tensão insuportável, por isso sempre cede às compulsões. Os pacientes nunca perdem o juízo a respeito do que está acontecendo consigo próprios e percebem o absurdo ou exagero do que está se passando; mas como não sabem o que está acontecendo, temem estar enlouquecendo, e pelo menos no começo tentam esconder seus pensamentos e rituais. No transtorno obsessivo-compulsivo os dois tipos de sintomas quase sempre estão juntos, mas pode haver a predominância de um sobre o outro. Um paciente pode ser mais obsessivo que compulsivo ou mais compulsivo do que obsessivo.

Fonte: www.psicosite.com.br

 

 

Famosos com a doença:

Howard Hughes (que inspirou o recente filme O Aviador)

Hans Christian Andersen

Woody Allen

Charles Darwin

Howard Stern

Harrison Ford

Franz Kafka

...e eu.

 

 

publicado por Incógnita às 21:22
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Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Flutuo...

As palavras do psiquiatra ecoavam na minha mente. "Tenta, tens de tentar, tens de estabelecer objectivos, os medicamentos são só uma ajuda! Vai custar, mas tens de o fazer... Pouco a pouco vais conseguir..."

Então tentei sair de casa. Sentia-me como um bebé a dar os primeiros passos, a reconhecer-se a si mesmo e ao mundo que o rodeia... Estava a aprender tudo de novo. Saía para sítios próximos, por curtos períodos de tempo. Sempre alerta e muito tensa, como se o meu cérebro estivesse a oferecer resistência à minha vontade. Então invejava profundamente todas as pessoas que observava, e que pressentia livres de grilhões internos. Oh, como eu invejei... Sentimento terrível, este, não me sabia capaz de o alimentar com tamanha intensidade...

 

No entanto, e aos poucos, comecei a perceber com uma enorme felicidade, que a medicação estava a fazer efeito... A tensão estava a desaparecer lentamente... Uma descontracção que há muito não sentia estava a invadir-me... O meu cérebro estava a baixar as suas defesas contra possíveis ameaças. E eu não acreditava na minha felicidade. Oh, afinal podia haver um futuro!

publicado por Incógnita às 21:19
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Domingo, 9 de Abril de 2006

Conectando...

Alguém me consegue explicar porque é que, com os meios de comunicação actuais, que nos permitem falar em tempo real com alguém no outro lado do mundo, é tão difícil marcar um encontro entre amigos que não se vêm há já algum tempo e que vivem separados por apenas alguns quilómetros de distância?


É uma dúvida que de há uns tempos para cá me persegue...

publicado por Incógnita às 13:00
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Sábado, 8 de Abril de 2006

Serotonina

Imagem retirada da net

 

Quando literalmente deixei de conseguir sair de casa, senti-me como se cubos de gelo tivessem sido desepejados sobre a minha cabeça. Eu estava em estado de choque. Tinha perdido todo o controlo sobre a minha própria vida e agora assistia ao seu desenrolar, sem mais forças para lhe tentar alterar o rumo. Estava exausta de todos aqueles anos a lutar em vão contra os meus fantasmas. É duro passar tanto tempo procurando esconder dos outros a nossa situação, colocando uma máscara de serenidade e de auto-controlo, quando por dentro sentimos um medo e uma angústia enormes, o coração disparado e a cabeça a latejar...  Isto, dia após dia, após dia, somando anos...

 

Tinha medo de estar louca. Muito medo. Tinha medo do meu futuro, recusava-me a pensar a longo prazo, para não chegar à conclusão de que ia ficar assim para sempre e que a minha vida tinha acabado ali.

 

Sentia-me culpada por tudo isto, sentia-me culpada, como filha única, pela tristeza estampada na cara dos meus pais.

 

O mundo era pesado demais para os meus ombros.

publicado por Incógnita às 12:37
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

O elixir da juventude

Imagem retirada da net

 

A minha bisavó tem 99 anos. Completa um século de vida no final deste ano.

Consegue ver o lado positivo de tudo, e enfrentou todos os seus medos com uma coragem e um sentido de humor invejáveis. Acredito que ela se escondia atrás das portas à esperam que eles entrassem para lhes dar logo uma paulada na cabeça. Ela acabava com os medos ainda antes deles transporem a soleira. A sua fama no "mundo do desagradável"  deve ser tanta que ninguém se mete com ela. Nem a morte.

Então, se de facto existe um segredo para se viver muito, talvez ele resida no saber: saber ser feliz enquanto estamos vivos.

publicado por Incógnita às 18:43
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Nirvana: s.m. estado de libertação suprema

Assinala-se hoje o 12º aniversário da morte do vocalista dos Nirvana, Kurt Cobain. Este mito do rock dos anos 90 sofria de Transtorno Bipolar, uma doença do foro psiquiátrico. 

Suicidou-se no dia 5 de Abril de 1994.

 

"O Transtorno Bipolar é um distúrbio neurológico que causa mudanças repentinas de humor, levando o portador a transitar entre a euforia excessiva e a depressão, intercaladas com períodos de normalidade.

Conhecido no passado como psicose maníaco-depressiva, o distúrbio começa em geral na adolescência ou no adulto jovem. Muitas vezes, por falta de conhecimento, o paciente na fase depressiva recebe a pecha de preguiçoso. Já na fase de euforia (também chamada de mania), pode surgir até a desconfiança de uso de drogas, tal a agitação manifestada.

(...)O Transtorno Bipolar ainda não tem cura, mas pode ser controlado com remédios, possibilitando uma vida normal. (...) O tabu que envolve a psiquiatria prejudica muito o tratamento dos distúrbios comportamentais. "É preciso acabar com o estigma que envolve a consulta a um psiquiatra. A falta de conhecimento faz com que muita gente deixe de se tratar e melhore sua qualidade de vida. Outra questão é quanto aos remédios de uso contínuo. É preciso tirar o conceito de dependência do contexto de vício. Dependente de remédio também são as pessoas que sofrem de diabetes, pressão alta etc".

Famosos com este tipo de transtorno: Winston Churchill, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Honoré de Balzac, Peter Gabriel, Vivien Leigh, Vicent Van Gogh, Florbela Espanca..."

 

publicado por Incógnita às 19:47
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Domingo, 2 de Abril de 2006

Há quem tenha sangue azul, outros há que o têm frio, e há ainda os que não sabem dele.

Hoje assisti ao programa 60 Minutos na Sic Notícias. Uma das reportagens abordava a questão da inseminação artificial com recurso a dadores de esperma anónimos, e das implicaçõs deste anonimato na vida de todos os envolvidos (dadores, filhos daí resultantes, famílias, etc.).

Sempre que assisto a uma reportagem deste género, não consigo evitar alguma perplexidade ante aqueles homens que por dinheiro aceitam que se produzam filhos seus que nunca conhecerão. O caso que mais me chocou foi o de um dador jovem, médico pediatra por sinal, que afirmava gostar muito de crianças, e que possivelmente já terá dado origem a uma centena de filhos através desta técnica. Actualmente é casado e está à espera do seu "1º filho". Quando o questionaram acerca da existência destas crianças, respondeu que não sentia que fossem seus filhos e a sua existência não o preocupava nem lhe suscitava curiosidade. No entretanto, mães de filhos seus estavam a "conta gotas", e por acaso, a descobrir que tinham filhos do mesmo pai, através do seu código de dador, e a educá-los para que no futuro se venham a sentir como os irmãos que afinal são. Já só lhes faltava encontrar os restantes aproximadamente 97 irmãos...

Numa outra reportagem sobre o mesmo tema a que assisti há já algum tempo, assistia-se à angústia de filhos destes dadores, em busca das suas origens. Dois homens, ambos filhos de dadores anónimos, que procuravam há anos desfazer o anonimato por trás da sua criação, e depois de já se conhecerem há algum tempo, descobriram com uma enorme comoção que afinal eram irmãos.

Eu pergunto-me: será que esta prática é correcta? Será que as pessoas que nascem desta técnica não têm o direito de conhecer as suas origens, que é uma forma de também se conhecerem a elas próprias?

Como é que nós nos sentiriamos se metade do nosso ser viesse da mais profunda escuridão, se não soubéssemos de quem era o sangue que nos corria nas veias?

 

Eu não perdoaria ninguém pela angústia de não conhecer as minhas origens, assim como não seria capaz de suportar saber que algures pelo mundo existia uma criança minha filha, possivelmente com aquelas "covinhas no rosto", aquelas "mãos finas", aquele "olhar profundo", aquele "cabelo rebelde", aqueles "dentes desalinhados" que me são tão familiares sempre que me olho ao espelho...

publicado por Incógnita às 17:10
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Obstinada em encontrar-se... Dentro de si própria.

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